O pé de ipê (by Luis Fernando O. Caldeira)
É engraçado como, às vezes, nos deixamos ser levados por nossos problemas e começamos a ter atitudes e pensamentos egoístas. Começamos a menosprezar as pessoas ao nosso redor e começamos a focar a nossa mente apenas em nossos problemas, ignorando as pessoas e o que elas têm a dizer. É incrível a nossa capacidade de tornar nossos problemas maiores que as pessoas que amamos. Pensando nisso, por causa do meu próprio comportamento, que tive esses dias, com relação à amigos e parentes é que lembrei de uma história que gostaria de escrever no blog. A história é a seguinte:
Uma árvore, ela é plantada em um terreno fértil e solo firme, para que não possa nunca acabar escapando. Um pé de ipê, certa vez, foi plantado em um terreno por uma moça que queria um ipê logo ali pra que ela tivesse sombra e pudesse olhar para o campo, sentada debaixo do ipê. Nesse campo havia bois e um pasto verde, um verde forte realçado e, logo atrás desse campo, havia pequenas montanhas repletas de árvores, tão belas quanto o ipê que ali crescera.
O ipê, desde pequeno, era regado e cultivado por uma moça que tinha o maior carinho pelo ipê. Ela sempre dizia que ali ele cresceria forte e tranqüilo porque suas raízes seriam fortificadas pelo adubo que ela mesma fazia. E ela sempre se dava ao trabalho de proteger o pé de ipê com proteções de madeira para que nada quebrasse seus galhos e estava sempre matando os bichos que nasciam no ipê.
Mas sem que ela notasse do lado desse ipê começara a nascer uma macieira. Ela não deu muita atenção para a macieira e pensava consigo mesma que algum dia aquela macieira iria quebrar-se ou ser arrasada por pestes. E, de fato, aconteceu quase tudo que ela havia imaginado. Bolas de crianças quebraram vários galhos da macieira, pestes invadiram suas folhas. Mas, para a surpresa dela, as duas árvores conseguiram crescer e ficaram enormes.
Um dia essa moça desapareceu. Ninguém nunca soube a razão. Dizem que ela casou-se e foi morar em outro país. Outros dizem que ela apenas morreu. Mas o que realmente importava naquele lugar eram as árvores porque, um dia, houve uma invasão de uma peste nas plantas que fez muito agricultor do lugar perder arrobas de plantações e várias plantas morreram. E essa peste atacou as duas árvores, claro. Mas, pelo incrível que pareça, a macieira não foi tão afetada quanto o pé de ipê que crescera tão protegido. O ipê, que tinha lindos galhos repletos e flores amarelas, logo estava nu e vazio. Com marcas estranhas por todo o tronco, galhos e raízes.
Mas, passado o tempo, o pé de ipê conseguiu brotar algumas flores e já estava se regenerando. Sua beleza não era mais a mesma, mas ainda sim estava conseguindo sobreviver. Mas, como nenhuma desgraça vem sozinha, logo veio uma tempestade cheia de ventos fortes e furacões. Essa tempestade arrasou os galhos que já não tinham mais tantas flores e que agora já se quebravam com a força do vento e dos furacões. O pé de ipê aos poucos foi sendo destruído. E essa tempestade não durou apenas um dia, durou vários outros.
A macieira que parecia já ter sofrido tanto pelo descaso da moça, hoje, parecia estar sendo recompensada. Apenas algumas folhas se foram e logo já estava se recuperando. O pé de ipê, com tanta tempestade não agüentou e caiu com todas as suas raízes no chão.
Se perguntando o porquê disso tudo o ipê pôde ouvir a voz da macieira dizendo:
- Não chore. Caro pé de ipê. Você teve o maior carinho e o maior cuidado que uma pessoa poderia ter dado. Você foi cultivado e alimentado por uma moça tão bondosa e generosa que não via a ingenuidade em seus atos. A tentativa desesperada da moça de querer te proteger das ações do mundo te fez ter raízes fracas e os venenos contra pestes que ela jogava em você te fez ser fraca contra insetos o que te fez perder muita de sua força. Eu fui criada pelo mundo e tive que encarar com força, desde pequena, as tribulações do mundo e, assim, fui fortificando minhas raízes e criando defesas contra insetos. Em primeiro momento você chegou a ser mais privilegiada que eu, mas não foi preparada para o mundo. Eu sim!
Então o pé de ipê, em prantos perguntou para o pé de macieira:
- E agora? Tudo acabou para mim? Morrerei aqui? Caída em meio ao nada?
A macieira responde confiante no que diz:
- Não turbe seu coraçãozinho, grande ipê, a morte não é o fim, mas é o começo de um novo ciclo. Seu velho corpo morrerá e servirá pra que novas criaturas nasçam, suas sementes que se perderam em meio à tempestade logo se tornarão novos ipês e depois disso você poderá recomeçar sua vida, como um belo ipê que é...
Passados os anos, aconteceu exatamente o que a macieira disse, o velho tronco do ipê se transformou em outras árvores e inclusive em um outro ipê, que ali cresceu, utilizando da força do velho ipê pra nascer e se fortalecer. Esse novo ipê possuía a velha alma do antigo ipê, a velha alma que se renovava e ressurgia com vontade de crescer. Esse novo ipê era o velho ipê em um novo corpo pronto pra encarar novos desafios.
E assim é a vida, devemos nos preparar pra todos os desafios. Devemos encarar nossos problemas face a face porque será com eles que iremos crescer e tornaremos pessoas sábias e fortes de coração em um futuro. E, só assim, que poderemos construir grandes coisas no mundo e imortalizar nossos nomes, nossas personalidades.
Se você já se vê perdido em meio a tantos problemas e acredita que não teve tanta estrutura pra superá-los. Não se preocupe e saiba que se, por isso, você cair então você poderá levantar e com base em esses seus traumas se fortalecer e tornar-se uma nova pessoa pronta pra encarar novos desafios. Não tenha raiva de seus problemas, aprenda a aprender com eles e, o mais importante de TUDO, NUNCA se deixar abater pelos problemas, as coisas sempre dão certo, uma solução sempre aparece. Basta você não se preocupar e focar-se em coisas boas pra resolver seus problemas.
E lembre-se de nunca transformar seus problemas em coisas mais significantes que as pessoas queridas que te rodeiam.